Um dos fundadores do Circo Voador, no Rio de Janeiro, e da empresa Raio Lazer, no Recife, o profissional carioca morreu ontem, em Fortaleza, uma semana após ter o fígado transplantado
Uma semana após o falecimento do diretor e cenógrafo Uziel Lima, a cena cultural pernambucana perdeu outro importante nome da produção local. Morreu ontem, aos 57 anos, em Fortaleza, o produtor Ivan Viana, um dos fundadores do Circo Voador, no Rio de Janeiro, e responsável pela versão pernambucana daquele evento, nos anos 80.
Carioca de nascimento, Ivan Viana fundou no Recife, em 1985, ao lado dos também produtores Beth Salgueiro (sua esposa) e Flávio Perruci (Maguila), a empresa Raio Lazer, responsável pela realização em Pernambuco de diversos espetáculos de artistas consagrados. Há oito anos morava em Brasília, onde fundou a produtora Central do Brasil Cultura e Meio Ambiente.
Os amigos descobriram a deficiência hepática de Ivan há uma década e acompanharam de perto sua luta pela sobrevivência. De acordo com o sócio Maguila, ele chegou a constar em uma lista de espera por uma doação de fígado em São Paulo. Na ocasião, devido a uma contaminação do local onde morava, teve que se mudar e, não sendo contatado a tempo, perdeu a vez e voltou para o fim da lista.
Há dois meses, Ivan obteve uma nova oportunidade de transplante, em Fortaleza. A operação, realizada na terça-feira passada, foi considerada um sucesso. Ontem, porém, o produtor sofreu uma parada cardíaca e faleceu por volta das 6h30. “Inexplicavelmente o fígado não funcionou. Não houve obstrução. Simplesmente, não funcionou”, lamentou Maguila por telefone, ontem, de Fortaleza, onde participava do velório do corpo do amigo.
“Somos de um tempo em que a cultura da cidade estava começando”, disse Maguila, referindo-se à profissionalização da produção cultural no Recife. “Não havia essa preocupação de mercado. Era mais pela cultura. Ele (Ivan) mudou a minha vida. Eu fazia engenharia de pesca e passei a trabalhar com produção.”
O músico Antonio Nóbrega atribui a Ivan Viana boa parte do mérito de seu estabelecimento como artista em sua terra. “Ele se esforçou e contribuiu muito para que eu me afirmasse aqui no Recife”, falou o brincante. “Era um carioca que amava muito o Recife. Ele se entregou muito à cultura daqui. Alguma coisa deve continuar por meio de Beth.”
O corpo de Ivan Viana deve ser trasladado hoje para Brasília, onde haverá um novo velório. A família também respeitar o desejo expressado pelo produtor de ter seu corpo cremado após a morte.