LIBERDADE,LIBERDADE

Hoje é comemorado em todo Brasil, o Dia da Independência Não sei até que ponto temos motivo pra comemorar.Será que o grito dos excluídos já foi ouvido por alguém? Precisamos refletir!
Pensando em tudo isso,veio-me à lembrança, os tempos negros da ditadura,quando foi exibida no Teatro Sta Isabel, a peça Liberdade, Liberdade. A praça da República, repleta de soldados nos ‘intimava’ a entrar e sair do Teatro calados.
Porém no final da peça, a emoção maior, tudo que estava reprimido dentro de nós, saiu pela voz de Paulo Autran declamando, como só ele sabe fazer, a última parte ,do poema de Castro Alves, Navio Negreiro.
Saímos do Teatro com lágrimas nos olhos, e a voz de Paulo Autran, ecoando nos nossos ouvidos e na nossa alma.
Vou deixar essa parte do poema em homenagem a uma pessoa, que já deixou o Trem da Vida, mas que sempre sonhou com um Brasil Independente !
“Existe um povo que a bandeira empresta P'ra cobrir tanta infâmia e covardia!... E deixa-a transformar-se nessa festa Em manto impuro de bacante fria!... Meu Deus! meu Deus! mas que bandeira é esta, Que impudente na gávea tripudia? Silêncio. Musa... chora, e chora tanto Que o pavilhão se lave no teu pranto! ...
Auriverde pendão de minha terra, Que a brisa do Brasil beija e balança, Estandarte que a luz do sol encerra E as promessas divinas da esperança... Tu que, da liberdade após a guerra, Foste hasteado dos heróis na lança Antes te houvessem roto na batalha, Que servires a um povo de mortalha!...
Fatalidade atroz que a mente esmaga! Extingue nesta hora o brigue imundo O trilho que Colombo abriu nas vagas, Como um íris no pélago profundo! Mas é infâmia demais! ... Da etérea plaga Levantai-vos, heróis do Novo Mundo! Andrada! arranca esse pendão dos ares! Colombo! fecha a porta dos teus mares! “
Escrito por Telma Arcoverde às 23h11
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