1000 MULHERES PARA O NOBEL DA PAZ 2005

Dia 26 de julho, participamos de um encontro na Fundação Jpaquim Nabuco em homenagem às pernambucanas que foram escolhidas pra integrar o bloco das 1000 Mulheres.
O Nobel foi criado em 1901, até hoje apenas 13 mulheres em todo mundo receberam o título. Número muito pequeno, quando pensamos quantas mulheres estão na luta diária, exercendo suas atividades, lutando por uma sociedade justa, arriscando suas vidas pelo bem comum.
O Projeto "1000 mulheres para o Nobel Da Paz 2005" foi uma iniciativa da "Fundação de Mulheres Suíças Pela Paz" e 225 países estão participando. O Brasil é o terceiro país com o maior número de mulheres escolhidas, depois da Ìndia (98) e China (81)
Segundo Clara Charf, viúva do revolucionário Carlos Mariguella, coordenadora do projeto no Brasil, a intenção é premiar mulheres de luta e que, com o seu trabalho, dedicaram suas vidas a promover a Paz . "Queremos tirar do anonimato mil mulheres, através do reconhecimento do seu trabalho,” explica Clara Charf.
“Essas mulheres são qualificadas porque são lutadoras. O critério principal pra ser indicada, é que as mulheres tenham trajetórias de luta pelas causas que oprimem o ser humano. Podia ser luta pela nutrição, contra a violência, pelo direito da terra, ou ainda uma quilombola ou uma indígena, assim como podia ser um a mulher que se dedica à ciência inventando uma vacina que beneficiasse o povo, por exemplo”, afirma ela.
Das 52 brasileiras, temos o orgulho de ter, entre elas, cinco pernambucanas, que lutaram pelas mulheres, pelo fim dos conflitos, pelo respeito aos direitos humanos, pela proteção à vida.

Parabéns! Vocês fizeram por merecer!
Escrito por Telma Arcoverde às 20h17
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Perfil das mulheres escolhidas de Pernambuco
VANETE ALMEIDA, líder camponesa, Pernambuco
Na década de 80, Vanete Almeida (1943) começou a atuar nos sindicatos dos trabalhadores rurais do Sertão Central de Pernambuco. Única mulher em um espaço dominado pelos homens, ela rompeu com o machismo e partiu para a mobilização das mulheres no campo. Hoje, são 800 grupos de mulheres no Nordeste e elas – antes caladas – dirigem sindicatos, coordenam encontros e reivindicam direitos trabalhistas, saúde, educação, conservação do meio ambiente. Ela agora coordena a Rede de Mulheres Rurais da América Latina e Caribe, na qual articula grupos de 25 países.
ZENILDA MARIA DE ARAÚJO, Líder indígena, Pernambuco
Considerada a mãe dos Xukuru de Ororubá, Zenilda Maria de Araújo (1950). Até 1998, ao lado do marido, cacique Xicão, conscientizou os índios de seus direitos e formou lideranças. Naquele ano, ele foi assassinado. Zenilda, também ameaçada de morte, não se acovardou. A pedido de seu povo, continuou à frente das retomadas de terra e da valorização dos rituais e costumes dos 9 mil Xukuru, que vivem em 24 aldeias, na serra de Ororubá, interior de Pernambuco. Graças à iniciativa e à persistência de Zenilda, Xicão e do pajé, os Xukuru recuperaram seus rituais, proibidos durante séculos, parte de suas terras e aprenderam a se organizar em comunidade.
Escrito por Telma Arcoverde às 20h17
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Perfil das mulheres escolhidas de Pernambuco
Elzita Santa Cruz Oliveira, dona-de-casa, Pernambuco.
“Onde está Fernando?” Elzita Santa Cruz Oliveira (1913) nunca obteve resposta para a pergunta que fez ecoar Brasil afora. Nos anos 70, época em que o país vivia sob terror e medo, buscou ajuda de entidades nacionais e internacionais. Reuniu e encorajou outras mães – a maioria amedrontada – para assinar manifestos. Ajudou a fundar o Movimento pela Anistia em Pernambuco e, mais tarde, o Partido dos Trabalhadores daquele Estado. Simboliza todas as mães brasileiras que tiveram seus filhos vítimas da opressão do regime militar brasileiro.
Givânia Maria da Silva, Ativista, vereadora, Pernambuco
Givânia Maria da Silva (1966) nasceu em Conceição das Crioulas, quilombo no interior de Pernambuco. Primeira mulher da comunidade a adquirir diploma universitário – formou-se em Letras e Literatura Portuguesa – e a ter cargo político, ela milita pela retomada e legalização dos quilombos e contra o racismo. Ajudou a realizar o primeiro encontro de representantes quilombolas de todo o país e a criar, em 2000, a Conaq – Coordenação Nacional das Comunidades Quilombolas, da qual é uma das coordenadoras. Em 2000, elegeu-se vereadora, reeleita em 2004.
Lenira Maria de Carvalho, líder comunitária, Pernambuco
Filha de trabalhadora doméstica, Lenira Maria de Carvalho (1932) já na infância foi obrigada a aprender o ofício e, como a mãe, a enfrentar jornada de trabalho de mais de doze horas diárias em troca de cama e comida. Fundou a associação da categoria. Na Constituição de 88, conseguiram aprovar férias, aviso prévio, décimo-terceiro salário, licença-maternidade. Participou da criação do Sindicato das Trabalhadoras Domésticas de Recife, no qual são atendidas 7 mil pessoas por ano. Sua briga agora é para que as trabalhadoras domésticas tenham direito à casa própria e aposentadoria digna.
Escrito por Telma Arcoverde às 20h16
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