Dia de Vitória
Denise sempre foi muito ligada a movimentos políticos, toda
vez que defendia uma causa,o fazia com muita garra ,tal qual
o seu pai.Eu nasci e me criei em meio da política.
No dia da festa da vitória do Lula, quando voltou pra casa,
fez uma carta para Bia. Mandou também pra mim, eu guardo
com muito carinho ,pois acho que minha filha sabe lidar
muito bem com as palavras.
Hoje quando li o post que ela escreveu, me deu vontade
de postar aqui essa carta.Espero que ela aprove a idéia !
De: Denise Arcoverde Para: beatrizarcoverde@bol.com.br & Data: 28/10/2002 11:14 Assunto: Façam a festa na patriazinha
Aos Nossos Filhos Ivan Lins - Vitor Martins
Perdoem a cara amarrada, perdoem a falta de abraço Perdoem a falta de espaço, os dias eram assim Perdoem por tantos perigos, perdoem a falta de abrigo Perdoem a falta de amigos, os dias eram assim Perdoem a falta de folhas, perdoem a falta de ar Perdoem a falta de escolha, os dias eram assim
E quando passarem a limpo, e quando cortarem os laços E quando soltarem os cintos, façam a festa por mim Quando lavarem a mágoa, quando lavarem a alma Quando lavarem a água, lavem os olhos por mim
Quando brotarem as flores, quando crescerem as matas Quando colherem os frutos digam o gosto prá mim
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Prezad@s companheir@s,
Nasci em 64, em pleno golpe militar, cresci em uma ditadura e aprendi desde cedo sobre todos os perigos. Pernambucana, como Lula, endureci e - algumas vezes - perdi a ternura pra sobreviver.
Acordei querendo compartilhar essa música com todo mundo, porque ela sempre significou muito pra mim, certamente, para muitas outras pessoas, também. Me lembra meu pai que morreu aos 40, sem ver o final da ditadura militar. Lembra outros amigos e pessoas que se foram sem ver um pau de arara, "paraiba", ex-metalúrgico, com mãe analfabeta, ser a nova paixão desse país.
Estava fora do Brasil no primeiro turno. No frio da Escandinávia pensei no poema de Vinícius: "Fonte de mel, bicho triste, pátria minha, amada, idolatrada, salve, salve! Que mais doce esperança acorrentada o não poder dizer-te: aguarda... Não tardo!"
Quando voltei, o país tinha se apaixonado por Lula. Fiquei positivamente, deliciosamente chocada e emocionada por ver o povo todo de vermelho. Como quando a gente vive uma história de amor há muitos anos e, de repente, todos nos compreendem e se apaixonam também. E a gente não tem ciúmes...
Ontem à noite, ficava parada no Marco Zero do Recife pensando que a gente está vivendo um "marco zero" na nossa história. Tant@s desconhecid@s, tant@s amig@s, tant@s companheiros estavam lá. 200 mil pessoas. Lavando a alma, lavando os olhos, colhendo os frutos e fazendo a festa por a gente, por nossos filhos e filhas e por todos que não estão mais aqui. Para esses que não estão aqui - para meu pai - quero dizer que o gosto dos frutos é doce, mas ainda é como quando a gente morde uma fruta desconhecida, que é doce mas a gente não sabe bem se tem gosto de quê. Não vai ser fácil, mas já é tão bom...
E que @s crític@s não venham querer estragar nossa festa. Lula vai ter muito a fazer, mas já está valendo a pena. Já temos MUITO orgulho de ser brasileiro@s...
"Se me perguntarem o que é a minha pátria direi: Não sei. De fato, não sei Como, por que e quando a minha pátria Mas sei que a minha pátria é a luz, o sal e a água Que elaboram e liquefazem a minha mágoa Em longas lágrimas amargas.
Vontade de beijar os olhos de minha pátria De niná-la, de passar-lhe a mão pelos cabelos...
Não te direi o nome, pátria minha Teu nome é pátria amada, é patriazinha Não rima com mãe gentil Vives em mim como uma filha, que és Uma ilha de ternura: a Ilha Brasil, talvez." (Vinícius de Moraes)
Beijos
Denise Arcoverde (Chorando desde ontem, mas sem medo de ser feliz)
Escrito por Telma Arcoverde às 21h56
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